05/07/2016

[Livro] O Primeiro Ano - Como se faz um Advogado (1997)/ Scott Turow

Mais um que peguei
na biblioteca (220 páginas)

Um professor faculdade certa vez me disse que na época dele de aluno o livro "O Primeiro Ano - Como se faz um Advogado" era a leitura obrigatória na matéria de introdução ao Direito e não "O Caso dos Exploradores de Cavernas". Realmente, tem coisas que não deviam mudar.

"O Primeiro Ano", livro muito interessante e esclarecedor, trata, como o próprio título diz, do primeiro ano na vida de estudante em Harvard, famosa universidade americana, mostrando como é a cansativa rotina de estudos por lá.

Muito diferente da maioria das faculdades de Direito do Brasil, onde qualquer um pode se formar com o mínimo de esforço, sair sem saber nada e ainda ter de ficar estudando durante anos para conseguir passar na prova da OAB, mesmo depois de 5 anos de faculdade.

Exemplos da Rotina de estudo em Harvard e a Diferença no Brasil:



Harvard

Brasil

O método utilizado no sistema de ensino é o Socrático.
Não há a adoção de um sistema próprio e cada professor se vira como pode.
Todo o curso é baseado em causas reais: ênfase na prática
Cada professor escolhe o que aborda, seja a mera teoria, seja a prática, mas a ênfase é na teoria
Os preparativos para os exames são massacrantes, exigindo até 16 horas por dia de estudo
Basta assistir mal e porcamente as aulas ou ler o caderno de um cdf
Boas notas são vitais por servirem de base para contratação pelos grandes escritórios e pelas mais importantes agências governamentais
Basta passar no concurso público e a maioria dos escritórios contrata baseado em Networking ou em outro critério subjetivo.

Pequenas diferenças, não é?


Talvez isso explique porque aqui no Brasil o bacharel em Direito recém-formado normalmente não passa na OAB e nem em concurso público (seja para cargo de técnico, seja para cargo de Juiz). 

Há um enorme descompasso entre a realidade do mercado de trabalho e a formação universitária. É assim há muito tempo e vai continuar sendo, pois quase ninguém se importa (vide o índice de reprovações na prova da OAB).

Minha Experiência 


Pessoalmente, aprendi muito mais sozinho do que com meus professores na faculdade, onde a maioria era bem fraquinha em termos de conhecimento e didática. Somente nos cursinhos, depois de formado, que conheci muitos grandes professores de Direito.

Para que serviu a faculdade? Para me permitir pagar por meu diploma de forma parcelada e ainda sim foi bem caro.


Conclusão


Enfim, concordamos com JR

Esse livro deve ser lido por todos os advogados e estudantes de direito no Brasil, onde as faculdades são pouco exigentes e o índice de reprovação é quase zero. Daí a decepção quando dos exames da OAB, onde há um grau mínimo de exigência.

Fica a dica!

9 comentários:

  1. Acho que existe uma espécie de desânimo pela profissão. Boa parte dos advogados soam derrotados ou sempre justificam essa apatia pela falta de força contra empresas, instituições, polícia somente agindo no óbvio. Aliás, não é somente no direito que vejo isso.

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    1. As pessoas estão infelizes e por isso fazem um mal trabalho.
      ganham dinheiro e não tem qualidade de vida.
      morrendo um pouco a cada dia, desistem de fazer um bom trabalho.

      Abç

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  2. Nunca ouvi falar desse livro. Fiquei curioso. Sobre o árduo estudo, lembrei do filme A Firma, com Tom Cruise. Acho que, aqui, estudante não se preocupa com notas porque os grandes escritórios contratam com base no sobrenome. Se o cara é muito bom, até é contratado, mas para atuar nos bastidores.
    Acima, acho que vc quis dizer "mas a ênfase é na PRÁTICA".
    Abraços!

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    1. Klei,

      A firma é uma ótima referência nesse caso. concordo com vc, não há muita meritocracia.
      Eu expressei mal, mas a ideia é que nos EUA prepara-se para a prática e no Brasil para a teoria.

      Abç!

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    2. Ops, eu que me confundi. Vc disse "aqui"... pensei que vc estivesse se referindo ao ensino americano. :-)

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  3. A OAB parece muito com os cursinhos pré vestibular. E os alunos dos dois níveis parece possuírem características similares. Nos dois modos é possível dizer que, se o aluno tivesse feito um 2 grau forte não precisaria de cursinho, da mesma forma que um aluno que tivesse feito um estudo sério do curso de graduação não precisaria se preocupar tanto com a OAB.

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    1. Ulisses,

      Concordo com vc. O problema é que na prática não temos nem 10% dos alunos levando a sério o estudo no dia-a-dia.
      E depois de 5 anos não se tem uma base de conhecimento mínima.

      Abç

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  4. Sabe me dizer se tem pdf desse livro em algum lugar?

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    1. Berg,

      Desconheço. uma pena que estante virtual cobre tão caro por uma livro tão simples, mas na amazon americana sai bem barato:
      https://www.amazon.com/One-L-Scott-Turow-ebook/dp/B003WUYE2K

      abç!

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